|
SURPREENDENTE MADRI
Vinte anos depois da morte de Franco, a capital da
Espanha brilha como nunca. Renovada pelo ritmo frenético da movida, mas
conservando suas melhores tradições, Madri não pára de crescer e de
surpreender a quem a visita ou revisita
Se Dom Quixote, de Cervantes, via lá seus moinhos
imaginários, olhar a Espanha de hoje pela lente luminosa da ficção é,
no mínimo, um exercício coerente e possível. Assim sendo, imaginemos o
generalíssimo Franco, uniformizado e cheio de galardões, emergindo,
vinte anos depois de sua morte, das profundezas do mausoléu que mandou
escavar nas paredes de granito da Serra de Guadarrama, dentro da
província de Madri. Sua primeira reação, provavelmente, seria de
conforto, eis que sua tumba, no Valle de los Caídos, tem uma atmosfera
tão sombria como a da própria Espanha que liderou com mãos de ferro
até morrer, em 1975. Desse momento em diante, porém, nosso Franco
ressuscitado só teria dissabores. Não seria preciso nem mesmo que
chegasse à Plaza del Sol, no centro de Madri, alguns quilômetros
adiante, para perceber que, nessas curtas duas décadas, o país caminhou
exatamente no sentido oposto ao que ele conduzia.
É previsível até que, ao ver sua capital tão mudada
e fervilhante, Franco desembainhasse sua espada, gritasse um irado Por
Diós e conclamasse seus antigos correligionários a uma nova guerra
civil, como a que matou um mi-lhão de espanhóis na primeira metade deste
século. Mas, fora uma meia dúzia de gatos-pingados saudosistas, o
máximo que Franco conseguiria reunir, nesta suposta reencarnação, seria
uma platéia de gente espantada com sua patética figura. No meio da qual
poderia estar, por exemplo, o cineasta Pedro Almodóvar, filmadora em
punho, registrando cenas para um novo longa-metragem que poderia batizar,
sem muita criatividade, de Ditador à Beira de um Ataque de Nervos...
Almodóvar, aliás, é uma das mais conhecidas caras do
movimento chamado la movida, uma incontrolável revolução cultural que
vem chacoalhando os alicerces da Espanha desde meados da década de 80.
Assim como ele, milhares de cabeças pensantes da geração pós-Franco
aceleraram o país a um ritmo alucinante. Fosse para tirar o atraso em
relação aos vizinhos países europeus, fosse para esquecer das longas
décadas de opressão, o fato é que la movida pôs a Espanha para correr
como nunca. A economia foi modernizada, a corrupção endêmica diminuiu
sensivelmente e a alma farrista dos espanhóis voltou à tona, produzindo
novos talentos e enorme avanço cultural. O país integrou-se à
Comunidade Européia, organizou a Feira Mundial de Sevilha, as Olimpíadas
de Barcelona, e deu ao mundo provas de sobra de que havia retomado o
caminho que já fez dela um dia a maior nação da Terra, responsável,
entre outras pequenas façanhas, pelo descobrimento da América.
É essa Espanha liberta de fantasmas que o suposto
fantasma de Franco reencontraria. Um país de muitas capitais, mas que,
tanto do ponto de vista político quanto turístico, começa mesmo em
Madri. Essa cidade surpreendente que, para os padrões europeus, é quase
uma criança. Mais jovem, por exemplo, que São Paulo. Historicamente
muito menos importante do que a vizinha Toledo, palco de grandes batalhas
e castelos de grandes reis do passado. Geograficamente menos estratégica
que Barcelona, sua eterna rival no posto de cidade número 1 da Espanha,
situada à beira do Mediterrâneo. Arquitetonicamente menos impressionante
que Sevilha, Málaga, Córdoba e outras cidades que herdaram da ocupação
moura construções exóticas, com arcos trabalhados e abóbadas
engalanadas. Mas, apesar de todos esses handicaps, uma cidade bela, ampla
e cosmopolita - a que os locais se referem como Madriz, enfatizando o z
inexistente - que é, de fato, o coração da grande corporação
multinacional que atende pelo nome de Mundo Hispânico.
Não é preciso nem estar morto há vinte anos como
Franco para levar um susto com a nova cara de Madri. Basta você não ter
passado por lá nos últimos cinco anos para ficar espantado. A cidade se
modernizou. Há largas freeways onde antes não havia nada. Há bairros
modernos, de arquitetura arrojada, onde antes havia descampados e
acampamentos de ciganos. Há discotecas efervescentes vazando de gente a
noite toda em prédios onde outrora viveram marqueses e barões empoados,
E, acima de tudo, há jovens bebendo cañas (cervejas) por todos os
cantos. Pode parecer incrível, mas os espanhóis gostam tanto da loirinha
como alemães e nórdicos. Claro que não desprezam também o jerez, o
conhaque famoso, e o vermute (o qual chamam de bermu). Mas a caña vem na
frente. O índice de bares por quilômetro quadrado em Madri,
especialmente em bairros boêmios como Malasaña e Hortaleza, é
proporcional à sede de viver que os madrilenos exibem desde que a
liberdade voltou.
Em nenhuma outra capital da Europa, nem mesmo em Paris,
a vida noturna é tão intensa. Não importa o dia da semana, nem a época
do ano: todo mundo sai de casa o quanto pode. Do rei Juan Carlos, que
volta e meia é visto roncando sua moto pelas ruas sem nenhuma escolta, ao
mais ínfimo dos plebeus, todo mundo vive intensamente na capital da
Espanha. "Se é fato que o homem passa um terço de sua vida
dormindo, os madrilenos parecem decididos a que este terço seja o
último", graceja um funcionário do Departamento de Turismo de
Madri, pronto para iniciar seu périplo pelos bares assim que o expediente
se encerrar.
A coisa é tão profunda que chega ao paroxismo. Se
você quiser, por exemplo, beber umas cañas e chacoalhar o esqueleto no
Yasta (Calle Valverde, 10), não adianta aparecer antes das 6 da manhã.
É nessa hora, com os primeiros raios de sol, que a casa abre suas portas
para receber uma pequena parte dos notívagos que fazem fila em sua porta.
Outra grande atração das últimas temporadas madrilenas é a chamada -
sabe-se lá por que - Rota do Bacalhau. Trata-se, vejam só, de um
itinerário de bares nos quase 400 quilômetros que ligam Madri a
Valência. Todas as sextas-feiras, chova ou faça sol, centenas de grupos
percorrem esse roteiro, dançando
salsas, merengues e pasos-dobles. A
jornada, sem nenhuma interrupção para dormir, só
termina na noite de domingo. E na segunda está todo mundo no batente!
Para um povo que há vinte anos não podia sequer se
reunir em praça pública, convenhamos que é um avanço e tanto. Ou uma
retomada, se levarmos em conta que a tertúlia, que vem a ser a discussão
de um tema qualquer por um grupo de pessoas, é uma das mais caras
tradições madrilenas. Espanhóis, como se sabe, adoram discutir. Eles
mesmos se divertem com o tema e brincam com a idéia de que, em seu país,
"há um rei profissional e 40 milhões de reis amadores". Desde
que Madri se viu subitamente promovida de fortaleza de Magerit a capital
do Reino da Espanha pelo religiosíssimo rei Felipe II, em 1561, os
madrilenos saem às ruas para debater e discutir. Em parte porque viver ao
ar livre é recomendável nessa região de verões tórridos, onde a
estufa é abastecida pelo vento quente soprado do norte da África. Em
parte, também, porque o espanhol é um povo forjado por tantas raízes
diferentes (de ibéricos a mouros, de romanos a judeus) que a existência
de pontos de vista discordantes é de ordem atávica. O único tema que
não se discute hoje por aqui é a autoridade do rei Juan Carlos de
Borbón. Atlético e jovial, o monarca que foi ironicamente instalado no
poder pelo generalíssimo Franco para ser uma espécie de fantoche das
autoridades militares acabou assumindo seu posto de fato e de direito
quando, em 1981, apoiou a democracia e abortou uma tentativa de golpe de
Estado liderada por viúvas de Franco. Desde então, Juan Carlos é o
fiador dos governos espanhóis. E, des-
de então, as lideranças espanholas estão entre as
mais jovens e modernas da
Europa.
Isto posto, fica mais fácil entender as mudanças que
estão ocorrendo em Madri. O velho charme das tavernas do Casco Viejo (que
é como se chama a região central da capital, próxima à belíssima
Plaza Mayor) continua intato. Mas ganhou mais brilho com a volta das tunas,
os grupos de estudantes que todas as noites circulam pela região tocando
violões e entoando antigos sucessos espanhóis em troca de pesetas
eventualmente doadas pelos ouvintes. O Paseo de La Castellana, com seus
jardins frondosos, conserva sua reputação de avenida mais longa e bela
da Espanha, mas ficou mais europeu sem o policiamento ostensivo dos tempos
de Franco e com a saudá-vel mescla entre madrilenos da antiga, com suas
boinas inconfundíveis, e madrilenos da movida, vestidos ao melhor estilo
Greenwich Village. Até o Museu do Prado, já de antanhos um dos mais
importantes acervos artísticos do mundo, ganhou mais destaque. Eis que,
em suas imediações, um antigo hospital decadente foi transformado no
Centro de Arte Reina Sofia, que já nasceu com um dos mais ricos acervos
de arte contemporânea do Ocidente. Para lá foram conduzidos os
magistrais trabalhos de Miró e Picasso (artistas espanhóis que se
exilaram durante o regime franquista), além do melhor de Dalí, Magritte
e outros gênios da pintura e da escultura modernas. Também para o Reina
Sofia foi levado o colossal Guernica, de Picasso, considerado por muitos o
mais expressivo retrato artístico do século 20 e que até há pouco
tempo ocupava o Pavilhão do Retiro, no Museu do Prado. E, para completar
a fartura artística da região que os madrilenos passaram a chamar de
"milha de ouro", na mesma avenida (o Paseo del Prado)
instalou-se o Museu Thyssen-Bornemisza, com 800 obras relevantes,
do Renascimento ao
Impressionismo, antes pertencentes à coleção privada
do barão Thyssen (um estrangeiro que se apaixonou por uma espanhola e,
como prova de afeição suprema, legou tudo o que tinha à Espanha e, por
meio dela, ao mundo).
É verdade que nem tudo mudou. As touradas, por
exemplo, sobreviveram à crescente maré ecologista e Madri continua sendo
o grande templo do Olé! Entre o segundo domingo de março e o último de
outubro, a Plaza de Toros de las Ventas - a maior do mundo, em seu estilo
neomourisco - continua sediando centenas de corridas, com touros e homens
se enfrentando numa batalha de morte. Madrilenos da gema ainda se
emocionam até o fundo de suas almas com o bailado das capas vermelhas e
aguardam ansiosos o fim do inverno, quando, sob a proteção de San Isidro,
há um mês inteiro de corridas diárias. Os touros já não são tão
valentes, pelo menos na opinião de boa parte dos entendidos - e olha que
eles entendem tanto do tema que há até uma famosa escola de tauromaquia
em Madri. E os toureiros? Também não se fazem mais craques da estirpe de
um El Cordobês, por exemplo, se bem que há quem discorde e, em havendo
discussão, o jeito é encostar a barriga numa barra (balcão) e pedir
umas cañas, que é conversa para a noite toda. Fome?
Em Madri ninguém passa. O hábito de oferecer
aperitivos diversos (frutos do mar, empadas, chouriços, frios ou o que
seja) aos clientes - as chamadas tapas - é provavelmente um dos mais
deliciosos da cidade. Você pede cerveja e ganha calamares. Pede outra e
ganha um saboroso prato de presunto defumado. Pede a terceira e lá vêm
umas berinjelas temperadas. E assim vão se acumulando os cálices das
cañas e as montanhas de tapas, porque a pendenga, mesmo, esta não vai se
resolver nunca.
Mas nem só de bebidas e aperitivos vivem os
espanhóis. Eles também comem - e como! O cochinillo (leitãozinho
assado) é apenas o mais importante dos itens de um cardápio de
características orgiásticas numa cidade que tem alguns dos melhores
restaurantes do mundo. Mas há outros, milhares de outros. Na mesa,
alegremente envolvidos pela fartura, é que os madrilenos revelam o mais
cruel de seus instintos: a arrogância. "Em lugar nenhum se come como
aqui", jactam-se eles, com aquele olhar de superioridade que faz os
demais espanhóis chamarem-nos de chulos, que significa esnobes, com um
tom um pouco mais pejorativo. Pergunte a um catalão, a um basco, a um
andaluz ou a um aragonês e você sempre ouvirá, com o mesmo rancor, que
os castelhanos (gente da Província de Castela e Leão, onde fica a
capital) são chulos. Ao que o castelhano responderá, sem pestanejar:
"Ser espanhol é uma alegria. Ser castelhano é um título".
É briga pra mais de metro. O regionalismo, com
vertentes separatistas, é velha questão espanhola, abafada à força de
cassetetes pelo regime franquista. Nada tão suave quanto a rivalidade
entre paulistas e cariocas ou gaúchos e catarinenses. Felizmente, fora um
outro exagero do ETA - o violento exército separatista basco -, a
questão está controlada. Cada um na sua, todos juntos usufruindo o
milagre econômico espanhol. E, graças à tecnologia, mais próximos.
Desde 1982, Madri está ligada a Sevilha pelo AVE - Alta Velocidad de
España -, um trem que, a 250 quilômetros por hora, diminui a distância
entre as duas cidades para pouco mais de duas horas. Vem aí, também, o
AVE para Barcelona e de lá para Paris. Todos partindo da antiga estação
de Atocha, cuja belíssima estrutura de vidro e metal foi transformada
numa estufa, sob a qual viceja um belo bosque e um simpático centro de
lazer. Atocha, aliás, é uma amostra da imensa mistura de estilos que
caracteriza (ou descaracteriza) Madri. Você não vê prédios com
arquitetura semelhante como, por exemplo, vê em Paris. Do neogótico ao
neobarroco, passando pelo grandiloqüente estilo fascista, Madri é uma
grande salada arquitetônica, talvez por isso mesmo fascinante. Do
Palácio do Oriente (a residência oficial dos reis) ao Palácio das
Comunicações (considerado o auge do kitsch espanhol), nada é realmente
importante do ponto de vista artístico. A própria estátua de Cibeles,
entronizada num chafariz no estratégico cruzamento da Calle Alcalá com o
Paseo de la Castellana - e que muitos madrilenos consideram o símbolo da
cidade -, não vale mais do que a moldura de um dos quadros de Goya ou
Velasquez no Museu do Prado. Mas a mistureba, originária de duas
dinastias diferentes - a dos Habsburgos e a dos Borbóns - e de
influências aus-
tríacas, francesas, italianas e holandesas, forma um
conjunto urbano diferenciado e harmônico em suas contradições. Junte-se
a isso a notável porcentagem de áreas verdes proporcionada pelos imensos
parques públicos, que, somados, fazem de Madri uma das capitais mais
verdes do mundo, e você terá uma cidade fascinante.
Há parques notáveis na capital da Espanha. Com seus
130 alqueires esparramados pela área central da cidade, o Retiro é uma
espécie de Central Park de Madri. É para lá que conflui a população
nos fins de semana e cada árvore é uma bênção na terapia das ressacas
da noite anterior (as cañas, lembra-se?). Há quem prefira o Campo del
Moro, que é como se chamam os jardins do Palácio Real, quase sempre
abertos pa-
ra os súditos. E os que têm crianças
optam, em geral, pelo Parque del Oeste, onde um
teleférico conduz ao zoológico municipal. Há, ainda, o novíssimo Campo
das Nações, que, além de espaço para o lazer, é um avançadíssimo e
concorridíssimo centro de congressos e exposições. E o menos afamado,
mas imensamente grande, Parque da Casa de Campo, que durante a semana
costuma ser freqüentado - quem diria! - por travestis brasileiros.
Entre tantas árvores, enfim, cultiva-se uma cidade que
hoje tem 4 milhões de habitantes e está crescendo para os lados,
espalhada por condomínios fechados que avançam pelo subúrbio. Que tem,
é claro, um trânsito de metrópole, aliviado por um eficiente sistema de
metrô. Que tem requintes de mo-dernidade, como a novíssima Porta da
Europa, um par de prédios construído com inclinação de 14,3 graus, que
se debruça - com jeito de quem vai cair - sobre o Paseo de la Castellana.
Que tem torcedores do Real e do Atlético de Madri, rivais tão ardorosos
como palmeirenses e corintianos ou flamenguistas e vascaínos. Que tem um
mercado de pulgas chamado El Rastro, onde se compra e se vende de tudo nas
manhãs de domingo e onde se pratica a melhor tradição da pechincha ao
estilo árabe. Que tem zarzuelas (comédias musicais) e tablados de
flamenco para o povo e os turistas se divertirem. E que, depois de todo o
agito, sempre tem um churro coberto de chocolate para se comer (o churro
é uma antiga invenção madrilena, sabia?).
Você vai acabar se convencendo, como outros 60
milhões de turistas a cada ano, a dar uma bela passada por Madri. E,
quando você estiver por aqui, aproveite para dar uma esticada até
Toledo, Segóvia, Ávila, Aranjuez, O Escorial e outras atrações que
ficam bem perto da capital. Inclusive o Valle de los Caídos, onde, como
você verá, o generalíssimo Franco está enterrado. Para todo o sempre.
BOX-1
Para Comer como um Rei
Chega a ser injusto com tantos restaurantes madrilenos,
como o ótimo Zalacaín, o deslumbrante Café de Oriente, a Casa Lúcio, o
ancestral Botin, a Casa Paco e tantos outros que o destaque gastronômico
desta reportagem seja um restaurante de Segóvia. Mas há um motivo, a que
os próprios castelhanos se renderão. A Mesón de Cándido, situada
exatamente ao lado do fabuloso aqueduto romano de
2 mil anos, que é a principal atração da cidade, é
a única que tem um mesonero oficial de Castilla. Ou seja: um cozinheiro
escolhido e aprovado oficialmente pelo próprio rei. Ele se chamava
Cándido e tinha, por conta dessa honraria, uma bela medalha, hoje em
poder de seu filho, que, claro, também se chama Cándido. Aqui, num
ambiente rústico e aconchegante, freqüentado por nobres e plebeus
famosos como Antonio Banderas e Mellanie Griffith, come-se o melhor (ou
pelo menos o mais prestigiado) cochinillo da Espanha. Trata-se do
Cochinillo Asado Presentado em Andas, que o próprio Cándido vêm à mesa
cortar, munido apenas de um pequeno prato. O corte, sem faca, prova a
maciez da carne. Absolutamente irresistível.
O COCHINILLO DO CÁNDIDO
Qual é a diferença entre um leitão assado e outro
leitão assado? Você pode não saber, mas o cozinheiro oficial do rei da
Espanha há de lhe explicar. Trata-se, basicamente, da origem do porco. O
porco servido na Méson de Cándido não é um exemplar comum. Trata-se de
um porco ibérico, um animal que se alimenta exclusivamente de um tipo de
romã abundante na Península Ibérica. O tal suíno não come qualquer
coisa, como os outros. Por isso sua carne fica mais macia, menos gordurosa
e mais apetitosa. Aliás, para evitar gordura adicional, os leitões
consumidos no restaurante de Segóvia têm apenas duas semanas de vida. Se
você for um ecologista ou um vegetariano, a recomendação fica sendo
até de mau gosto. Se você for um gourmet, não perca!
BOX-2
Shopping In Madri
A BELA CERÂMICA DE TOLEDO
Não é exatamente de Madri, mas vale a pena ir buscar
na vizinha Toledo, onde você encontra desde manufaturados a 10 dólares
até trabalhos exclusivos por 2 mil.
HERANÇA MOURA
Os trabalhos de damasquinaria, com metais nobres
incrustados,
são parte do legado árabe aos espanhóis.
Minuciosamente trabalhados, pratos como o da foto não saem por menos 6
mil dólares.
O MAPA DA MINA
A Feira do Rastro, um grande mercado de pulgas, é das
grandes atrações dos domingos em Madri. Ali você encontra de tudo,
principalmente badulaques de má qualidade. Mas, garimpando, dá para
encontrar boinas tipicamente madrilenas por preços mais que razoáveis.
QUE VENGA EL TORO
Cartazes de tourada com o nome do freguês gravado são
mais manjados do que andar para a frente. Mas não dá para voltar de
Madri sem um deles. Por 10 dólares, você compra.
LEQUES, CLARo O leque de abano
é uma tradição imutável da vida espanhola. Há de
tudo para escolher, com o motivo que você preferir. Os mais sofisticados
são caros, mas nas barracas de rua você encontra quatro por menos de 10
dólares.
DE CAPA E ESPADAS
Utilidade, zero. Mas os turistas, especialmente
americanos, adoram comprar espadas para enfeitar suas lareiras. Algumas
delas custam milhares de dólares.
BOX-3
O MELHOR DO MELHOR DOS MUSEUS
É recomendável que você veja todas as obras do Museu
do Prado. Mas, se faltar tempo, não perca:
1 De Goya: A Maja Desnuda, A Maja Vestida, A Família
de Carlos IV, a Série Negra e o impressionante Fuzilamento na Montanha do
Príncipe Pio.
2 De Velasquez: O Triunfo de Baco, As Lanças, O
Príncipe Baltazar Carlos e, claro,
As Meninas, sua obra maior.
3 De El Greco: A Adoração dos Pastores.
4 De Rubens: As Três Graças.
5 De Hioeronymus Bosch:
O Jardim das Delícias e
O Carro de Feno.
6 De Fra Angelico:
A Anunciação.
7 De Bruegel: O Triunfo da
Morte
8 De Tintoretto: A Lavagem dos Pés.
9 De Caravaggio: Davi, o
Vencedor de Golias.
10 De Rembrandt: Artemesia.
Nota: é provável que milhares de leitores discordem
desta sugestão. Todos eles terão razão, porque no Museu do Prado nada
é dispensável.
BOX-4
Onde é Melhor
Ficar
Hotel Palace - desde a sua inauguração, em 1912, é
um dos clássicos de Madri. Um autêntico palácio, construído no reinado
de Afonso XVII, o Palace tem 500 apartamentos, fica na região mais nobre
da cidade, em frente ao Museu do Prado, e possui uma cúpula de vitrais
pintados que é uma atração à parte. Entre outros hóspedes famosos,
já recebeu Mata Hari e o presidente Kennedy. Paseo de la Castellana, 49 -
tel.: 410-0200 ou 319-9900. Fax 319 5853.
Hotel Ritz - outra jóia de sofisticação. Desde 1910,
aparece com freqüência na relação dos dez melhores hotéis do mundo.
Seus 156 quartos têm roupa de cama de linho inglês bordadas à mão
e a geléia caseira é servida em recipientes de prata.
Se você não puder se hospedar no Ritz, não deixe de passar por lá no
fim da tarde para tomar um
de seus famosos chás. Plaza de Lealtad, 5 -
tel.: 521-2857 ou 521-2851. Fax 532-8776.
Hotel Monaco - um dos melhores hotéis baratos de
Madri. Fica numa ruela perto da Gran Via, numa região repleta de bares.
No passado, ali funcionou um bordel. E a decoração extravagante de hoje
não nega sua origem. Tem apenas 33 quartos. Calle Barbieri, 5 - tel.:
522-4630. Fax 521-1601.
Comer
Zalacaín - O mais sagrado
(e caro) dos templos gastronômicos de Madri.
Considerado também um dos melhores restaurantes do mundo, embora você
vá ter de pagar bem pago pelo privilégio de tirar a dúvida. Pratos
exóticos, vinhos raros, tudo sob o comando do chef Javier Oyarbide de
Zalacaín. Um garçom para cada cliente. Calle Alvarez de Baena, 4 - tel.:
261-4840.
Café de Oriente - Fica exatamente na frente do
Palácio
Real e, embora esteja prejudicado por uma obra que
está
modernizando a Praça do Oriente, se esforça para
manter a
qualidade dos serviços. Funciona no antigo Monastério
de San Gil. Em cima, o bar, sempre muito concorrido. Embaixo,
o restaurante, que inclui a exclusiva
sala do rei. De fato, Juan Carlos aparece de vez em
quando por lá. Misto de
cozinha espanhola com nouvelle cuisine. Plaza de
Oriente, 2 - tel.: 541-3974.
Botín - Tudo para você curtir. É o
restaurante mais antigo do mundo,
reconhecido pelo Guinness. Hemingway costumava comer
por aqui e até o citou em um de seus livros. Goya, o fabuloso pintor,
lavou pratos por aqui. O cochinillo assado é maravilhoso. E os preços
são mais que aceitáveis. Calle de los Cuchilleros, 17
- tel.: 266-4217.
Casa Lúcio - restaurante muito popular entre o que se
pode chamar de
aristocracia espanhola. O próprio
Lúcio (Lúcio Blazquez) comanda a recepção
pessoalmente e tem um álbum que mostra que, entre outros, seu restaurante
já foi visitado pelo
rei Juan Carlos, por Antony Quinn, Gabriel Garcia
Marquez e... Marly Sarney. Cava Baja, 35 - tel.: 265-3252.
La Bola - Há mais de cem anos,
um grande especialista no cozido madrileno, o chamado
puchero, servido em cumbucas especiais. Sempre cheio, fica num bom lugar,
mas tem uma certa arrogância castelhana que você talvez não vá gostar.
Calle la Bola, 5 -
tel.: 247-6930.
Casa Paco - No meio do Casco Viejo, uma taverna
castelhana
autêntica, repleta de fotos de clientes importantes,
entre os quais o rei Pelé. Tem uma carne inigualável, servida num prato
tão quente que serve para assá-la na frente do cliente. Experimente
também as angulas com alho e óleo, servidas como entrada, precedidas de
um jerez seco.
Calle Puerta Cerrada, 11 - tel.: 266-3166
Comprar
Madri não é uma cidade barata para fazer compras. Tem
de tudo, é claro, como qualquer metrópole moderna, mas os preços não
são especialmente atraentes, nem mesmo para os brasileiros, que adoram
comprar tudo o que podem.
O grande centro de compras é o bairro de Salamanca,
onde existem várias vias com lojas sofisticadas de todos os tipos. As
ruas Serrano, Goya e Velasquez são as mais importantes da região e uma
travessa, chamada Ortega y Gasset, reúne o mais,
mais das grifes
internacionais, de Armani a Chanel. Passear pelo bairro
é um grande barato e você vai encontrar algumas belas
galerias. Entre as quais, o novíssimo Centro Comercial
ABC-Serrano,
um minishopping
center que funciona no lugar onde se
produzia o jornal ABC. Na frente dele, o Multicentro
Serrano (Calle Serrano, 88) é outra opção, também cara.
La Vaguada - é o maior shopping center de Madri, fica
num bairro afastado e nem se compara aos brasileiros. Mas vale conferir.
VIP’s - uma rede de lojas de conveniência, em geral
abertas durante toda a noite, para acompanhar o pique irresistível da
moçada de Madri. Como todas as lojas de conveniência, nada é barato,
mas tudo é muito conveniente. São onze endereços por toda a
cidade.Você vai achar o seu.
Na Gran Via - há uma infinidade de lojas. Destaque
para a ASI, que vende bonecas de todos os tipos, inclusive de porcelana.
Fica no número 47. Na mesma rua, no 29, você pode encontrar a Casa del
Libro, a maior livraria do país. Outra boa idéia é a Real Musical, uma
das muitas e a mais completa casa de instrumentos musicais e partituras da
Espanha. Fica na Calle de Carlos II.
FAZER A CABEÇA
Madri tem três dos melhores endereços do mundo para
quem quer fazer a cabeça. Um quase do lado do outro:
Museu do Prado - Provavelmente a mais importante
exposição de pintura clássica de todo o Planeta. A ala espanhola, com
destaque para Murillo, Goya e Velasquez,
é insuperável. A coleção italiana tem algumas das
obras mais importantes de Fra Angelico, Botticelli e Tintoreto, entre
outros. A ala flamenca vai de Rubens a Bosch e é das melhores dessa
escola. Reserve pelo menos três horas para visitá-la. Aos domingos a
entrada é gratuita, mas a fila é grande.
Centro de Artes Reina Sofia - Com pouco mais de três
anos de vida, é a maior mostra de arte moderna da Espanha. E é bom
lembrar que os espanhóis - Picasso, Miró e Dalí - são os mestres de
arte moderna. No segundo andar, uma sala especial exibe Guernica. Só esse
quadro justifica a visita e a viagem.
Museu Thyssen-Bornemisza - Se alguma coisa falta no
Prado, é só atravessar a rua e entrar nesse novo museu, que entre suas
800 obras tem italianos, flamencos e espanhóis clássicos, além de um
acervo de impressionistas franceses e obras modernas que estariam no Reina
Sofia, se não estivessem aqui.
AGITAR
Na noite de Madri. Tudo é fantástico. Se você tiver
pouco tempo, concentre suas atenções na Calle Arenal. São pelo menos
três boas pedidas. O Palácio Gavíria, uma implausível casa noturna
construída no palácio de um antigo amante da rainha Isabel II. São
vários ambientes, cada um com um tipo diferente de música, onde os
madrilenos exibem seu talento para "bailar" aperfeiçoado nas
aulas de dança,
que estão muito na moda. Bem ao lado fica a famosa
discoteca Joy Eslava, num antigo teatro transformado, onde rola o maior
som disco. Capital de todas as tribos.
E, quando você estiver disposto a voltar para o hotel,
passe antes pela Churreria San Gines (atrás da igreja do mesmo nome e ao
lado do Joy Eslava) para comer o mais antigo e delicioso churro da capital
espanhola.
BOX-5
O que Fazer em
1 DIA: Prepare-se para uma maratona. Vá logo cedo à
Plaza Mayor e caminhe pelas ruelas do Casco Viejo. Sempre a pé, siga até
o Palácio do Oriente (é pertinho), passando pelo mercado da Plaza San
Miguel e pela prefeitura, que fica ao lado. Veja o palácio por fora e dê
uma caminhada no Campo del Moro, que são os belos jardins do palácio.
Não vale a pena entrar, porque um tour guiado dentro do palácio levará
pelo menos uma hora. Retorne pela Calle Mayor, atento a cada fachada, e
almoce bem e barato no Museo del Jamón (Calle Mayor, 7), deslumbrado com
a tonelada de pernis pendurada nas paredes. Faça a digestão caminhando
pela Calle del Prado e curta a deliciosa Plaza de Santa, antes de chegar
ao Paseo del Prado. Você vai estar ao lado do Hotel Palace. Entre
rapidinho e dê uma olhada no hall interno coberto por uma cúpula de
vitrais pintados. Entre no Museu do Prado para uma visita mínima de duas
horas. Ao sair, caminhe pela bela avenida em direção à estação de
Atocha. Conheça ela por dentro, veja o trem de alta velocidade na
plataforma e coma um churro num dos quiosques da região. Tome umas cañas
no Café de Oriente, jante um cochinillo no Botin, dance no Palácio
Gavíria (Calle Arenal, 9) e corte a ressaca com um café e um churro na
Churreria San Gines, que fica ao lado.
3 DIAS: 1º DIA - Manhã na Plaza Mayor e Palácio do
Oriente (com visita). Almoço às 2, no La Bolla. Passeio pela Gran Via,
visita à Plaza de Espanha e poente no enorme mirante do Faro de la
Moncloa, de onde se vê a cidade toda. Cañas na Calle de las Huertas,
jantar na Casa Paco e noite no Palácio Gavíria.
2º DIA - Dedique aos museus. O Prado abre às 9.
Almoce na Galeria Picasso, do outro lado da rua, anexa ao Hotel Palace.
Fique uma hora no Museu Thyssen-Bornemizsa, corra até o Centro de Artes
Reina Sofia e não saia sem ver Guernica. Bem em frente, visite a
estação de Atocha. Jante no Zalacaín (é uma nota!) e estique para uma
dança flamenca no Corral de la Moreria, o mais antigo tablado de Madri.
3º DIA - Manhã no Paseo de la Castellana (se for
domingo, vá à Feira do Rastro, que é um programão. Veja o estádio do
Real Madri, a Torre Picasso e os edifícios inclinados da Puerta de
Europa. Almoce no Hispano (P. de Castellana, 78) e faça um longo passeio
pelo Parque do Retiro. Na saída, compras nas butiques das Calles Serrano
e Velasquez. Cañas aonde for, jantar no Café de Oriente
e disco dance no Joy Eslava.
7 DIAS: Nos primeiros três dias, siga a programação
sugerida,
variando conforme seu pique. Depois é hora de visitar
os arredores.
4º DIA - Vá para o Escorial e o Valle de los Caídos.
O Monastério do Escorial é a mais monumental construção de Madri, se
bem que fica afastado, aos pés da Serra de Guadarrama. Construído no
século 16 pelo rei Felipe II, o gigantesco edifício tem 1 200 portas e 2
600 janelas. Para vê-lo em toda a sua grandeza, vá até o ponto chamado
"Cadeira de Felipe II", um trono natural de pedras de onde se
tem uma esplêndida vista. Depois entre no Monastério (opte por um tour
guiado) e veja, entre outras coisas, o Pantheon dos Reis, onde estão os
restos mortais de quase todos os monarcas espanhóis desde o reinado de
Carlos V. Almoce na cidade e siga para o Valle de los Caídos, que não
fica longe dali. Construído por Franco em homenagem aos mortos da Guerra
Civil Espanhola, a obra é faraônica, mas impressiona por seu cruzeiro do
tamanho de um prédio de cinqüenta andares e pela imensa basílica
escavada na rocha, no fundo da qual o próprio Franco está enterrado.
5º DIA - É todo de Toledo. A 70 quilômetros de
Madri, a belíssima cidade medieval numa curva do Rio Tejo (que aqui se
chama Tajo) é um mostruário da ríquissima história da Península
Ibérica, desde os tempos em que os reis visigodos instalaram ali sua
corte, no século 6. Uma autêntica cidade medieval, repleta de atrações
imperdíveis, entre as quais a catedral gótica construída entre o
século 13 e 15, o Alcázar, destruído e reconstruído várias vezes
depois de muitas batalhas, o Monastério de San Juan de los Reyes,
construído pelos reis católicos, a Igreja de Santo Tomé, onde fica a
obra máxima de El Greco, O Enterro do Conde Orgaz, e cada uma das vielas
dos antigos bairros dos judeus e dos árabes. Almoce no esplêndido
Parador, que fica do lado externo da muralha e de cujo terraço se vê a
cidade toda, esplendidamente. Não deixe de provar o mundialmente famoso
marzipã da cidade.
6º DIA - Viagem para Segóvia. Outro lugar imperdível
próximo a Madri, do outro lado da Serra de Guadarrama, que se atravessa
por um túnel. A cidade é medieval, muralhada, com um Alcázar sobre uma
falésia que parece um castelo de
contos de fada. Mas nem toda a beleza peculiar de
Segóvia se compara à
surpresa que você vai ter ao ver, numa das entradas da
cidade, o monumental aqueduto romano de 2 mil anos, extraordinariamente
conservado porque ainda estava em uso até há poucos anos. O aqueduto tem
728 metros de comprimento, 28 de altura e é todo de pedras que se
auto-sustentam. Bem ao lado dele fica a Méson de Cándido, onde você
não pode deixar de almoçar ou jantar.
7º DIA - Programação para um domingo (haverá um na
semana!). Passe a manhã na Feira do Rastro, o curioso e agitadíssimo
mercado das pulgas de Madri. Mas fique atento aos batedores de carteira.
Dedique o período da tarde às touradas. Vá até a Plaza de Toros de Las
Ventas, veja o espantoso espetáculo
e tente entender por que os espanhóis vibram com
certos movimentos e vaiam outros. Você pode achar a tourada uma
crueldade, mas não pode deixar de vê-la.
BOX-6
Madri é Assim
Tempo e Temperatura
O inverno em Madri é mais clemente do que o do resto
da Europa. Mesmo assim, faz frio. A máxima não passa dos 15 graus e a
mínima chega aos 7. De qualquer forma, nada que não se possa suportar.
Para quem vai caminhar - e é andando que se conhece melhor a capital
espanhola - a temperatura é até agradável. Chove pouco na cidade o ano
inteiro.
Como Chegar
Madri costuma se definir como porta de entrada da
Europa. Três empresas aéreas voam para lá. A Varig, diariamente, a
Ibéria, todos os dias, menos segunda, e a Aerolineas Argentinas, aos
domingos. Os preços oficiais para baixa estação (já em vigor na maior
parte do mês de fevereiro) estão entre 1 048 e 1 160 dólares, mas você
pode pagar menos se entrar num pacote (há vários) para Madri ou se
pesquisar no mercado. São 6 253 milhas que um jato percorre em cerca de
dez horas, partindo do Rio ou de São Paulo.
Quanto Custa
1 litro de gasolina: 112 pesetas
1 churro: 75 pesetas
1 passagem de metrô: 125 pesetas
1 passagem de ônibus: 125 pesetas
1 Big Mac: 365 pesetas
1 caña (copo de cerveja): 190 pesetas
Táxi aeroporto-centro: 2000 pesetas
5 leques comuns: 1000 pesetas
1 cartaz de tourada: 1000 pesetas
1 jantar com cochinillo,
vinho e sobremesa: 3 a 4 mil pesetas
Boa Cerveja
Como já se disse, beber cerveja é um esporte popular
em Madri. Qualquer bar, restaurante, confeitaria ou padaria tem uma
torneira do que aqui chamamos de chope. Em garrafa, a marca de Madri é
Mahou. Mas o melhor é sentar numa das deliciosas cervejarias. As melhores
são La Dolores, na Plaza Jesus de Medinaceli, a Cervantes, que fica quase
ao lado, e a Naturbier, que fabrica sua
própria loirinha e fica na Plaza de Santa Ana, 9.
Pede-se assim: caña (cálice), doble (copo) e barro (caneca).
Câmbio
O dólar vem caindo em relação à peseta. A relação
entre as duas moedas está na faixa de 115 a 120 pesetas por dólar.
Troque apenas nos bancos, que abrem
de segunda à sexta, das 8h30 às 14h00. Nos hotéis,
você vai perder de 5 a 10
pesetas por dólar. Nas emergências, há casas de
câmbio abertas 24 horas em várias partes da cidade. Mas conte o dinheiro
na frente do trocador, porque alguns deles "erram" no câmbio.
Gorjeta
O serviço nunca vem incluído na conta de nenhuma
refeição e não é obrigatório. Mas os próprios espanhóis costumam
dar aos garçons uma modesta propina, que raras vezes chega aos 10%. Para
o carregador de malas, dê 100 pesetas ou 200, se você vier carregado. No
táxi, arredonde a conta se o motorista merecer. A maior parte deles é
mal-humorada e vai tratá-lo mal com ou sem propina.
Que Roupa Usar
Bom: Madri é uma metrópole cosmopolita,
intelectualizada, e você usa a roupa que quiser. Ninguém vai estranhar
qualquer tipo de excentricidade. Mas, afinal, é a Europa, onde se cultiva
a elegância. Portanto, não custa nada ter um paletó ou um tailleur,
especialmente se você quer sentir-se em casa no chá da tarde do Ritz ou
nos saguões do Palace. Nos museus, igrejas e palácios, não vá de short
ou bermuda. Os que te deixarem entrar vão fazê-lo de má vontade. E, se
você estiver indo logo, não esqueça o sobretudo.
Noches Calientes
Os horários de Madri são diferentes de tudo a que
você está acostumado. O comércio abre das 10 às 14 e das 17 às 20,
com longo intervalo para a siesta, à exceção de algumas lojas. Se você
for jantar antes das 9 da noite, vai estar
sozinho. Só após as 10 é que o povo aparece. Mas é
depois do jantar que começam as intermináveis noites de Madri. Mais
algumas dicas para entrar nos embalos da Capital: Archy (Fortuny com
Marques de Riscal), Café Gijon (Paseo de Recoletos, 21), Cerveceria de
Santa Barbara (Pl. de Santa Barbara, 8) e Casa Patas (Cañizares, 10),
outro templo da dança flamenca.
O Toque do Autor
"Não deixe de encontrar os trovadores da tuna num
de seus jantares em Madri. Eles são alegres, contagiantes e, em geral,
todos os clientes da taverna acabam cantando
juntos clássicos do cancioneiro espanhol. Para topar
com eles, basta estar comendo numa das boas casas da Calle de los
Cuchilleros entre 11 da noite
e 1 da manhã." Ronny Hein
|